Pirpirituba, 02 de Agosto de
2012.
“Para
atravessar Agosto ter um amor seria importante.” Se eu tivesse um diário com
certeza eu começaria assim: - Querido companheiro sinto que você não suporta
mais as minhas sentimentalidades e neuroses, mas tenho que te dizer, não estou
bem. Estou aqui sentado mais uma vez. Ando bebendo muito café, e escutado muito
o Johnny Cash. Adoro clichê e tudo que soe em ser culto and cult. Escrever ajuda a amenizar
uma porção de coisas, principalmente esse cansaço que sinto nesse final de
tarde, tenho trabalhado tanto, e ocupado tanto o meu tempo que algumas coisas
passam despercebidas ultimamente em minha vida. Principalmente o tempo de estar
perto de quem amo. Afastei-me sem querer de muita gente, gosto de dizer que me
afastei de mim mesmo, e isso tem sido muito doloroso, talvez mortal a minha
carente pessoa. Às vezes tenho a nítida sensação de que nasci para ser sozinho.
Os últimos tempos comprovam que essa tal nítida sensação, seja mais do que
verdadeira. Amigos onde vocês estão?
Trabalhar
e estudar toma todo o meu tempo. Sinto saudades de estar perto dos meus, não os
vejo há muito meses, quase ano. Andei me apaixonando mais uma vez, nunca
pensei que isso poderia acontecer depois do último que se foi. O último deixou
marcas, profundas cicatrizes, que o tempo fez questão de curar. Mas você sabe,
um esbarrão e ela abre novamente e aquela dor aguda volta em meu peito. Tenho tanta coisa pra contar. Grandes guerras
que andei enfrentando nesses últimos meses. Como falei, andei me apaixonando, e
isso tem sido um grande problema. Apaixonar-me é sempre um problema, a coisa
fica pior quando não consigo dizer o que sinto. A coisa vai se agravando
fortemente e fica tão voraz que meus pequenos olhos gritam e falam por si,
entregando todo o sentimento embutido que sinto. Não ser correspondido é a
morte. O problema é que encontrei alguém que já tem outra pessoa. O problema é
que estou apaixonado por mim mesmo.
Sem
querer aos poucos me pego escutando Adriana Calcanhoto, Marisa Monte e Zélia.
Tento fugir dessa agonia, entrando nas histórias naturalistas e cômicas do
livro “O Cortiço” é a única coisa que me faz escapar. Tenho tentado ser forte e
acho que estou conseguindo, se não estaria desistindo nesse exato momento.
Tenho pensado também no meu futuro. Como ele será? Serei bem mais feliz que o
presente momento. Tenho medo. Alguns amores permanecem com você, outros só
participam em pensamento, esses se vão para sempre. “Estar apaixonado é uma
coisa muito nobre”, diria uma tia que mora longe. Quando me apaixono o universo
entra em contato com a minha alma, causando grandes abalos sísmicos, enchentes
e terremotos em meu corpo. Quando meus olhos começam a entregar toda a verdade,
é a vez da dor se fazer presente. Estou dando um Zap. Santo Zap.
Agora para terminar a noite leio
Caio Fernando Abreu, “Sugestões para Atravessar Agosto”.
