domingo, 23 de outubro de 2011

Pirpirituba, 21 de Outubro de 2011.


Está tudo certo de dia me mantenho ocupada/Compromissada o suficiente pra não ter/que me perguntar onde ele está/Fiquei tão cansada de chorar/Então ultimamente/Quando me pego assim eu viro o jogo/Me levanto, limpo a casa/Pelo menos não estou bebendo/Ando por aí então não preciso pensar em pensar/Esse silencioso senso de contentamento/Que todo mundo tem/Simplesmente desaparece quando o sol se põe./Ele está ardente em meus sonhos/Se prende no meu interior/E me enche de medo/Ensopado até a alma/Ele nada em meus olhos ao lado da cama/Me derramo sob ele/A lua está indo embora/E eu acordo sozinha./Se eu fosse meu coração/Preferiria ser inquieto/No momento em que paro o sono me pega e fico sem fôlego/Essa dor no meu peito/Assim como meu dia acabou agora/A escuridão me cobre e eu não consigo correr/Meu sangue congela/Fico parada na frente dele/É tudo que posso fazer para assegurá-lo/Quando ele vem pra mim/Me derreto por ele/Se afogando em mim nós dançamos sob a luz azul/Ele está ardente em meus sonhos/Se prende em meu interior/E me enche de medo/Ensopado até a alma/Ele nada em meus olhos através da cama/Me derramo sob ele/A lua está indo embora/E eu acordo sozinha/E eu acordo sozinha...                                                                      Wake Up Alone – Amy Winhouse


Querida amante,


Não estou bem. Acho que esse é um ótimo jeito de começar uma carta, por exemplo, jogar logo na primeira linha uma frase de prefixo de negação como “não estou bem”, mas é a mais pura verdade.  Ando me sentindo um lixo, uma merda, sinto que estou perdendo tempo, mas não sei em que. Quero chorar já é madrugada, faltam cinco minutos para as duas da manhã e não consigo dormir, penso em você nesse momento. Não sei ao certo porque esse pensamento me regressa só ah você, poderia ser qualquer outra pessoa, acredito que seja essa coisa de telepatia que só eu e você temos, sentimos na verdade. Talvez porque ontem foi quinta e hoje transitoriamente passando pela meia noite e contando ainda que não dormir e sentir nos ponteiros do relógio o tempo passar. E transição de quinta para sexta me deixa louco, mas ainda sinto que ainda é quinta. Esse jogo psicológico que estou tentando fazer com as palavras não é certo. Talvez por ter acabado de assistir “Cisne Negro”, você precisa assistir. Apaixonei-me a cada passo da Natalie Portman, tudo muito artístico e bonito. Acho que sou meio cisne, pelo menos estou querendo ser, sempre quis ser algo que tivesse asas, lembro-me da época em que eu não passava de um patinho feio. Comparado ao conto do patinho feio, realmente me encaixo na história. Quando criança todos me caçoava, me chamavam de feio também, mas hoje é tudo diferente, cresci. Mudei de pele como as cobras, tenho meu veneno. Ninguém se atreve a mexer, pelo menos não da mesma forma.  Voltando ao foco. Eu não estou bem, ando esperando muito das pessoas, até de você mesma. Mas a verdade é que estou exigindo muito de mim mesmo. Solidão, doce solidão, doce ilusão. “Doce ilusão” foi o que você me falou no ônibus quando eu te relatava aqueles sentimentos novos. Estou com tanta dor agora, você num imagina o sentimento que me toma nessa madrugada que te escrevo, é dor da mais pura que já pode existir-sentir. Hoje é um daqueles dias em que eu desejaria estar morto na terra fria junto com os vermes que se alegrariam em comer a minha carcaça recém-chegada, fresca como o perfume mais ludibriante que eles jamais experimentariam. Para sempre eu, para sempre você. Falo isso porque nos nunca deixaremos de ser assim, assim desse jeito cheio de fantasias, falsos sonhos, fadas, castelos, sapatinhos de cristal, cavalos brancos, unicórnios, príncipes? Já é demais né? Acho que não estamos mais com idade de acreditar em príncipes. Talvez na bruxa má, ah essa sempre acreditamos. Sempre quis ser bruxa. Mas o destino me fez permanecer nesse papel de donzela indefesa. Tenho raiva disso, tenho raiva de saber que não controlo a minha vida. Vez quando me pego me influenciando por pessoas que encontrei ai por essas esquinas, logo depois elas somem, deixando um pouco delas em mim, e elas mesmas nem suspeitam disso, estou congestionado de memorias e afetos. Tudo em mim está meio programado, não estou legal. Não tenho coragem de desistir. Graças aos céus tenho em mim um orgulho muito forte, acho que foi isso que me segurou durante esses anos todos. Estar no armário não é fácil, embora eu saiba bastante da vida lá fora, a vida aqui dentro também assusta. Às vezes me pego chorando com medo. Lembro que você me falava do seu curso de história: “o que me faz ainda prosseguir é a vingança”. Acho que foi isso mesmo que você falou. Fez muito sentido para mim. Mas para mim é realmente o orgulho, desisto desses sentimentos, quero elevar meu ego aos Deuses do olimpo. Continuo sentindo medo. Mas eu vim para prosperar, crescer, evoluir, voar. Sinto que você também. Mas sinto que continuo bastante fraco, quase sempre caio de novo nessas ilusões transitórias que só o ponteiro do relógio entende bem. Queria que ele falasse comigo. Só não queria dizer adeus. Queria saber o que vai acontecer lá na frente, você também queria, eu sei. Eu sei de muita coisa, eu sei coisas demais, isso não deveria acontecer, sou muito novo pra saber dessas coisas que só descobrimos quando estamos com bastante idade. Isso custou muito de mim, ter sabedoria não é bom. Ser diferente quase sempre não é bom. Mas é o que queremos mesmo inconscientemente, queremos ser diferentes dos outros. Para que eles sintam inveja de nos, pelo nosso jeito de falar, andar ou até mesmo de sermos nós mesmos. Preste atenção, estamos em transição, não sei se é pra uma sexta-feira como essa que te escrevo, mas penso que seja para algo grande, algo muito grande eu não sei ao certo. Dá medo né? Queria te falar mais explicitamente dessas coisas que ando sentindo, mas tenho medo, porque quando começo a escrever é perigoso. Eu não consigo me controlar, eu perco o controle totalmente. Queria colocar meu vestido vermelho, aquele batom marcante, aquele delineador preto, queria me sentir poderoso. Mas meus olhos sempre foram à fúria e a prepotência mais profunda, mas hoje eles só servem para me entregar. Tenho tanto aprender, preciso me alimentar mais, precisamos nos alimentar, mas estamos muito sedentos e se nós alimentássemos daquilo que sempre esta ausente em nosso cardápio. Penso que não seriamos diferentes do jeito que somos. Devorá-lo-íamos, sem remorso, sem piedade, cavaríamos nossas presas nele com tanta força. Seria interessante. Estou falando do amor, coisa que esta em extinção, pelo menos em nosso cardápio. O relógio agora marca duas da manhã, ainda não consigo dormir, penso em você. Parece carta de amor né? Mas é desespero mesmo, carência de puta seca com um drink na mão e nenhum homem na outra.
Amada, agora tenho que dormir, eu sei que deveria te escrever mais, mas a tantas coisas que nem te falei ainda, com o tempo vou falando. “Já vou indo, porque o SOL já vem e com ele outro dia. Amanhã serei bem mais feliz”.

Com amor com ardor, Jailson. 

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